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Cardiopatas não devem engravidar

2 set , 2016  

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A gravidez representa sobrecarga ao coração

Viviane Honório de Almeida, atualmente com 28 anos, descobriu a cardiopatia (doença do coração) com poucos meses de vida. Desde então, faz rigorosos acompanhamentos médicos. Entretanto, aos 23 anos engravidou acidentalmente, porém, teve que interromper a gravidez para que seu coração não fosse sobrecarregado. “No começo, mesmo com os médicos falando que eu não podia levar a gestação adiante, eu achava que iria conseguir. Mas, depois de duas semanas, comecei a passar muito mal com falta de ar, já que a gravidez deixou meu coração mais fraco”, conta.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), 48% das mulheres brasileiras sofrem de doenças cardíacas, entre elas, está a cardiopatia severa que se caracteriza pela deficiência do coração, causando uma diminuição do fluxo de sangue para os pulmões. Esta patologia é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como de alto risco para gravidez, pois representa um elevado índice de complicações na vida da gestante.

O uso do anticoncepcional pode agravar ainda mais a saúde das mulheres com este problema. Por isso, o método de contracepção feminina definitiva Essure é uma opção para as cardiopatas. Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o procedimento minimamente invasivo é uma alternativa à laqueadura cirúrgica.

“Entre os métodos contraceptivos definitivos existentes, o Essure (laqueadura por histeroscopia) é a melhor indicação para estas mulheres, pois a laqueadura cirúrgica (por laparoscopia) necessita de internação, anestesia geral, acesso à cavidade abdominal (corte), analgésicos no pós-operatório, repouso, dispensa das atividades por um período, ou seja, uma série de fatores desfavoráveis. Essure é um microimplante que pode ser colocado em ambulatório, sem necessidade de internação, cortes ou anestesia, por isso é menos invasivo, com menos morbidade e risco menor de complicações”, afirma Luciano Gibran, médico ginecologista e obstetra, diretor do Núcleo de Endoscopia Ginecológica e Endometriose do Centro de Referência da Saúde da Mulher – Hospital Pérola Byington.

“A gravidez promove uma sobrecarga ao coração. Estas pacientes, sem estarem grávidas, já têm o trabalho do coração dificultado. Como gestantes, a doença potencializa em níveis alarmantes. Pequenos esforços, como escovar os dentes, seriam suficientes para entrarem em um estado de fraqueza, de falta de ar e sensação de desmaio. Este quadro pode resultar na interrupção da gravidez, a partir do momento em que se percebe que a gestação coloca em risco a vida da mãe”, explica Gibran.

O especialista lembra que doenças graves do coração são uma das principais causadoras de morte em gestantes. “Precisamos deixar claro que nem todas as mulheres com problemas de coração têm contraindicação para chegar até o fim de uma gravidez”, reforça.

Após interromper a gravidez, Viviane optou pelo uso do Essure desde janeiro de 2012. “Eu não queria correr o risco de sofrer novamente. O método foi o melhor para a minha saúde pelo fato de ser minimamente invasivo. O procedimento foi rápido e não tive nenhuma complicação”, disse. Casada há seis anos, ela conta que seu marido sempre apoiou suas decisões. “Eu sempre tive o sonho de ser mãe, mas com a cardiopatia isso não é possível. No entanto, temos planos futuros em adotar uma criança”, relata.

Para as mulheres interessadas em ter acesso ao método, o primeiro passo deve ser participar do Programa de Planejamento Familiar. Basta se dirigir até à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência e se inscrever no Programa de Planejamento Familiar.

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