Histórias do coração

Festa dos transplantes no Incor

14 dez , 2017  

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Paulo Henrique Lima, 11 anos, transplantado de coração, tocou violão hoje (14/12) na festa do Núcleo de Transplante do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP). Anivair Bittencourt, 53 anos, transplantada de pulmão, estava na plateia. Entre os dois há muito mais em comum do que o gosto pela música. Apesar da distância de gerações, Paulinho, como é conhecido pelos amigos e a equipe do Incor, e Anivair compartilham entre si, e também com dezenas de outros pacientes que estavam na festa, a alegria e a felicidade de mais um ano de vida. E isso não é pouco. Meses antes, eles viviam com a angústia de não saber se estariam vivos no dia seguinte, quem dirá no Natal de 2017! (saiba um pouco mais da história deles, logo abaixo)

A vitória de Paulinho, Anivair e de tantos outros pacientes foi comemorada hoje com a equipe de médicos, cirurgiões e especialistas multiprofissionais do InCor, em grande estilo. E há muito para comemorar. O Incor fecha 2017 (ano de comemoração dos seus 40 anos de atividades e de 50 anos do primeiro transplante de coração do mundo, realizado na África do Sul, em 3 de dezembro de 1968) com mais uma marca histórica: recorde de 100 transplantes no ano, entre coração (49 em adultos e 17 em crianças) e pulmão (34).

Em agosto de 2016, o Instituto do Coração comemorou a realização de 1.000 transplantes – marca que se encontra agora em 1.229 procedimentos.

Quanto mais cresce a capacidade de atendimento do Instituto, que é o maior centro transplantador de coração e pulmão do Brasil e o 7º de coração de adultos no mundo, maior a chance das 113 pessoas que aguardam em fila de espera somente no Incor (50 de pulmão, 33 de coração adulto e 30 de infantil) sobreviverem às festas de 2017, 2018 e muito mais.

A programação musical da festa do Núcleo de Transplantes do InCor contou com a bateria da Escola de Samba Rosas de Ouro e as apresentações do grupo Musiccata e do cantor Kiko Zambianchi. A atração especial da festa foi o paciente Paulinho, ao violão, acompanhado da cantora Yê Nakamura, na interpretação das músicas Era uma vez, de Kell Smith, e Burguesinha, de Seu Jorge.

A história de Paulinho

Paulo Henrique Gonçalves Lima tem hoje 11 anos. Quando ele tinha 6 anos de idade, foi diagnosticado com miocardiopatia restritiva, depois de uma série de pneumonias (oito, em um único ano). Foram dois anos de tratamento, entre o diagnóstico e a indicação do transplante. Depois de meses em fila de espera, ele conseguiu o coração em fevereiro de 2016. Quando teve alta do hospital, seu sonho era pular numa piscina e tomar sorvete. De lá para cá, não somente ele realizou esse sonho várias vezes, como também viajou para a Disneylândia, aprimorou seus números de mágica (uma de suas várias paixões) e começou a tocar violão para se apresentar na festa – atividades inimagináveis para quem, há dois anos, não conseguia sair da cama do hospital.

Anivair: tudo começou com uma alergia

Anivair Vieira Bittencourt, 53 anos, é casada e tem um filho já adulto, que mora em Santa Catarina, local de origem da família. Em 2003, ainda quando trabalhava como comerciante, ela foi diagnosticada com fibrose cística, com apenas 13% de capacidade pulmonar. Em outubro de 2009, ela entrou para a fila do transplante de pulmão do Incor. Ficou sete anos à espera do órgão, durante os quais passou por uma longa internação na UTI do Instituto do Coração, em 2015, uma das fases mais críticas da doença, em que pensou que não iria sobreviver até a chegada do órgão – o que aconteceu em fevereiro de 2017, depois de outras 3 tentativas em que o pulmão ofertado não atendia todos os critérios de aproveitamento. Uma das lembranças mais vivas na memória de Anivair é o momento em que acordou da cirurgia. Ela sentiu de imediato a diferença marcante na respiração. O primeiro pensamento, ao acordar e retomar a consciência, foi “aconteceu!”. Após o transplante, sua rotina e estilo de vida mudaram completamente. Hoje, diz ela, vive com muito mais qualidade – faz de tudo: tem força para caminhar – uma das coisas que mais gosta de fazer -, realiza as tarefas de casa sem precisar de ajuda. Anivair conta que foram quatro anos vivendo na dependência do oxigênio e de seu marido para praticamente tudo. Para ela, poder fazer as coisas simples da vida é algo maravilhoso.

 

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